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02 DE ABRIL - DIA MUNDIAL DA CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O AUTISMO

10min de leitura
30 março 2023

O autismo, atualmente chamado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição caracterizada por comprometimento na comunicação e interação social, associado a padrões de comportamento restritivos e repetitivos.

No dia 2 de Abril foi instituído como o "Dia Mundial da Conscientização Sobre o Autismo", e tem como objetivo informar a população sobre esse transtorno para que seja reduzida a discriminação e o preconceito em relação aos indivíduos diagnosticados ou em processo diagnóstico. Além de chamar atenção para a sintomatologia e apresentar possibilidades de busca por auxílio e compreensão às famílias e/ou cuidadores.

Segundo o IBGE, 1% da população brasileira, cerca de 2 milhões de pessoas, possuem TEA (Transtorno do Espectro Autista), que não é uma doença e portanto não tem cura, mas precisa de acompanhamento profissional frequente, dentre eles, a Psicoterapia, para que o indivíduo tenha suporte para compreender e lidar melhor com suas diferenças, melhorar suas relações e auxiliar no seu desenvolvimento, dando a ele muito mais qualidade de vida e autonomia.

Recentemente uma pesquisa dos Estados Unidos, o CDC (Centro de Controle de Prevenção a Doenças), apresentou que 1 a cada 36 crianças de 8 anos possui diagnóstico de TEA, simbolizando 2,8% da população total. No Brasil, infelizmente, ainda não possuímos estatísticas e métricas tão recentes.

Mas, é importante ressaltar que, a pesquisa não apresenta que hoje temos um maior índice de TEA no mundo, mas sim um maior índice de diagnósticos, o que é de extrema importância para a lida social com os indivíduos e a melhor qualidade de vida destes. Assim como descreve o neurocientista brasileiro Alyssom Muotri:

“Os novos números do CDC mostram que a prevalência de autismo continua subindo, o que não acreditamos ser algo biológico, mas sim uma melhoria no diagnóstico, pois o autismo tem aparecido mais, está mais conhecido.

Acredita-se que essa realidade seja a de todos países do mundo, pois não há evidência de que essa variabilidade ou que as mutações genéticas aconteçam de forma diferentes em outras regiões do planeta. Nesse aspecto, o que acontece nos EUA, deve ser uma representação do que acontece no resto do mundo”.

É importante compreender que o TEA é subdividido em alguns graus, e dependendo deles também é interessante que a família do indivíduo diagnosticado passe por processo de psicoterapia, tanto no sentido de lida emocional com o diagnóstico e com o dia a dia, quanto no sentido de psicoeducação.

A sintomatologia é bastante complexa e mutável, mesmo entre os graus, pois o TEA é uma condição de múltiplos fatores, onde ainda é desconhecida a interação entre ambiente e genética.

Entendendo-se "desde o TEA de alto funcionamento, marcado por dificuldades de interação social, mas que não incorre em prejuízos cognitivos, até manifestações mais severas, que englobam, além dos problemas de socialização, problemas de comunicação e comportamentos repetitivos. Porém, no que tange aos fatores causais, ainda não há um paradigma estabelecido, e diferentes hipóteses a respeito dos mecanismos envolvidos no TEA estão em discussão." (RIBEIRO, F. T).

É indicado realizar o diagnóstico a partir dos 5 anos de idade, pois existem pesquisas que apontam que, até esta faixa etária, podem ocorrer equívocos, pois há relação com o neurodesenvolvimento particular de cada criança, principalmente quando abordamos a temática da estimulação.

Pais/responsáveis que pouco estimulam seus filhos, deixando-os sob uso contínuo de telas, possuem risco de obter um diagnóstico equivocado, achando que a criança não está desenvolvendo-se de forma típica.

Sabemos que é difícil maternar, paternar e/ou responsabilizar-se pelo desenvolvimento de uma criança, mas nosso recurso atual e exemplo de uso contínuo de telas não é benéfico, é preciso ter abdicação coletiva desse processo e implementar tempo de rotina que inclua conversa, brincadeiras, incentivos, jogos, esportes, etc. para que a criança tenha possibilidades de demonstrar conquistas e dificuldades, e aprendizados diversos.

Abordando o aspecto da estimulação de interesse para cada faixa etária do desenvolvimento infanto-juvenil, que também pode ocorrer com ajuda de um(a) profissional, como orientação de pais, por exemplo, possivelmente algumas demandas e sintomas apareçam com menor frequência ou nenhuma frequência, do que o inicialmente relatado, entendendo-se outros aspectos diagnósticos e de tratamento.

Mas, para quaisquer suspeitas, quanto mais precoce for a identificação dos sintomas e o diagnóstico, mais cedo se inicia o tratamento e o acompanhamento, sendo possível obter resultados mais assertivos para dar suporte e abrir possibilidades nas mais diversas áreas da vida do indivíduo.

Falando em suspeitas, acredito que uma das curiosidades também das pesquisas sobre TEA seja a informação acerca de sintomas, de maneira base, segundo o DSM-5:
-> Déficits persistentes na comunicação e na interação social, em múltiplos contextos;

-> Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.

NÍVEL 1) Indivíduo apresenta pouco interesse em quaisquer relações sociais, apresentando algumas falhas na conversação, que pode corroborar com interações malsucedidas. Problemas de organização e planejamento, com obstáculos relacionados à independência;

NÍVEL 2) Indivíduo possui limitação a aberturas sociais e retrata incômodo e ao ser abordado por outros indivíduos, mesmo que para diálogos ou interações simples. Sofrimento parcial para mudanças de foco e ações;

NÍVEL 3) Indivíduo possui característica de ser "poucas palavras", raramente iniciando interações, e quando o faz, com abordagens incomuns e/ou muito diretivas. Dificuldade e sofrimento intenso em lidar com mudanças e grande dificuldade em mudar o foco ou estrutura de ações.

O diagnóstico de TEA é entendido, em geral, como um desafio na vida do indivíduo e de seus familiares/responsáveis. Sendo importante um conjunto de ações para que a trajetória e a qualidade de vida sejam preservadas, e sigam da maneira mais positiva possível. 

Dentre essas ações está a escolha de um(a) Psicoterapeuta, já que é esse(a) profissional que vai ajudar o indivíduo a acolher sua demanda, trabalhar no desenvolvimento da autonomia, melhorar as relações e auxiliar nos desafios do cotidiano.

Escolher um(a) Psicoterapeuta capacitado(a) para fazer o acompanhamento e auxiliar no desenvolvimento é importantíssimo para que as ações sejam assertivas e eficientes.

Conheça a plataforma da Versalize. 



REFERÊNCIAS:
JUNIOR, F. P "Prevalência de autismo: 1 em 36 é o novo número do CDC dos EUA", disponível no link , acesso em 29 de Março de 2023.

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM 5, 5a edição, American Psychiatric Association. Págs 50-52.

RIBEIRO, F. T "Com número de diagnósticos em crescimento vertiginoso, Transtorno do Espectro Autista ainda é desafio para pesquisa neurológica", disponível no link , acesso em 29 de Março de 2023.

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