


Dia das Mães 2023 se aproximando, é importante abordarmos essa temática, principalmente compreendendo de onde surgiu esta comemoração e como podemos agrega-la no nosso particular, nas mais diversas configurações coletivas/familiares.
A data comemorativa conhecida popularmente como "Dia das Mães" surgiu oficialmente nos Estados Unidos, data-se do início do século XX, porém comemorações em relação a maternidade, ancestralidade feminina e fertilidade datam de muito antes, desde os povos originários dos mais diversos locais do mundo.
Desta forma, podemos entender que o arquétipo feminino do cuidado, a fecundação, a gestação e o acompanhamento de uma criança até sua fase de independência, sempre foi muito valorizado pelo ser humano, e é um processo importante das relações coletivas.
A atuação da ativista Ann Jarvis foi impulso para a criação da data de forma oficial, pois suas obras de caridade, principalmente as realizadas durante períodos sociais críticos, como a Guerra da Secessão, relacionadas a cuidado e higiene (que atuava, basicamente, na prevenção de contração e disseminação de febre tifoide e cólera), foram de grande valia para a população.
Além dessas ações, nos momentos em que a sociedade não estava em momento de violência ou grandes epidemias, Ann auxiliava na reconciliação dos que lutavam entre si, numa tentativa de propagar o diálogo e, assim, a paz.

Ativista Ann Jarvis (Fonte: Wikipedia "Ann Maria Reeves Jarvis")
Concomitante as suas ações humanitárias, Ann casou-se e teve uma filha, Anna, a qual sofreu demais com o luto após a morte da mãe, e foi então que surgiu a ideia da homenagem, entendendo como a noção inicial do Dia das Mães atual. Após construir um memorial para sua mãe e disseminar o contexto por quatro anos, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a criação do dia, comemorado sempre no segundo domingo do mês de Maio.
Mas, como esse Dia temático chegou ao Brasil? Foi apenas em 1918, em Porto Alegre, que o conhecimento desta comemoração e o início de algo especial começou a ser desenvolvido, mas somente em 1932 que Getúlio Vargas oficializou a comemoração para todo país, após esforços do movimento feminista brasileiro.
Refletindo acerca do arquétipo materno de Ann, ela não foi considerada para criar e popularizar este dia apenas pelo fator gestacional, ou seja, pelo fato dela ter gerado e dado a luz a uma criança, sua filha Anna, mas antes disso ela já estava apta a ser considerada maternal, por assim dizer.
Talvez pelo fato do olhar atento e assertivo, por tentar promover melhores condições sanitárias aos assentamentos dos locais de batalha, aos postos de saúde volantes, ao acolher, escutar e promover prevenção, principalmente de doenças que poderiam levar ao óbito. São fatores que, popularmente, quando pensamos em materno, pensamos em pelo menos uma dessas possibilidades, além do afeto em si.
Pensando neste fator, para considerar alguém como materno, não precisa ser necessariamente porque gestou e deu à luz outra pessoa, o arquétipo materno pode estar presente em pessoas do gênero masculino, por exemplo, ou em pessoas que nunca deram a luz, mas que possuem este conjunto de sensibilidades e o proporcionam para alguém.
Tanto que, existem várias variações de mães, de maternidade, de maternar, como: as mães adotivas, as mães que na verdade são cuidadoras ou possuem outros parentescos (avós, tias, primas, amigas, etc), os pais que também são mães, as mães comunitárias, entre outras opções.
E, também é relevante destacar que, na falta ou na perda de uma figura materna em nossas vidas, nós também podemos aprender a nos auto-maternar. Podemos lembrar com carinho e afeto daqueles que cuidaram de nós, em momento contínuos ou mesmo específicos e pontuais da nossa vida, e nos apresentaram ou ensinaram, de certa forma, esse arquétipo, e utilizar esse aprendizado para nós mesmos e para outras pessoas que, novamente, não necessariamente nós gestamos.

Dia das Mães 2023 (Fonte: Freepik.com)
Logo, neste dia que se aproxima, o Dia das Mães 2023, nós podemos manifestar a quem nos maternou e/ou nos ensinou a maternar, e a quem está até hoje conosco nessa trajetória, o nosso agradecimento, a nossa lembrança. Aqui, não é o fato de presentear com itens luxuosos e ter gastos expressivos, mas uma ligação, um lembrete, café da manhã ou um almoço em conjunto, já são demonstrações relevantes.
E, até nestas demonstrações, seja por nós mesmos (auto-maternar) ou seja por outrem, podemos manifestar um retorno materno, então a maternidade, o arquétipo materno, torna-se um ciclo de cuidado e afeto.
Referências:
Mundo Educação - Uol "Dia das Mães". Fonte









